Mário Marinho de Carvalho Behring

SOBERANO PROTETOR DO REAA

Mário Marinho de Carvalho Behring (1876/1933), ou simplesmente Irmão Mário Behring, nasceu em Ponte Nova (MG), mudou-se para o Rio de Janeiro ainda jovem onde cursou o Colégio Pedro II.

Em 1896 formou-se Engenheiro Agrônomo pela Escola Agrícola da Bahia e retornou a sua cidade natal em Minas, onde ocupou o cargo de Diretor de Obras do Município, época em que fundou o externato Pontenovense. Fundou o jornal Tupinambá, com alcance restrito a sua cidade, com a finalidade de acompanhar o desempenho da administração municipal. Em 1902 mudou-se em definitivo para o Rio de Janeiro onde prestou concurso e foi aprovado em primeiro lugar na Biblioteca Nacional, onde ocupou o cargo de Chefe da Seção de Manuscritos. Em 1924 o Presidente Artur Bernardes o nomeou Diretor da Biblioteca Nacional, posto que ocupou até 1932.
Na área das comunicações criou várias revistas como: Cinearte, Para-todos, Revista da Estrada de Ferro, Cosmos, Ilustração Brasileira, Fon-Fon, Careta, esta, importante revista humorística que satirizava o governo, além de escrever para os jornais O Imparcial e Jornal do Comércio. É destaque a criação da Revista Astrea, órgão de divulgação do Supremo Conselho do Grau 33 da Maçonaria do Rito Escocês Antigo e Aceito, com publicação regular até os dias de hoje.

Foi iniciado na Maçonaria em 1897 em Ponte Nova (MG) na Loja União Cosmopolita, tendo sido seu Venerável Mestre. Mudando-se para o Rio de Janeiro, foi filiado na Loja Ganganelli (Rito Moderno), sendo também Venerável Mestre em duas gestões (1903 e 1910). Em 1902 atingiu o Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito. No Grande Oriente do Brasil ocupou diversos cargos até ser eleito Grão-Mestre em 1922. Naquela época o Grão Mestre das Lojas Simbólicas também era o Soberano Grande Comendador do Rito Escocês, administrando os graus 4 ao 33. Isso provocava enormes consequências nas atividades das Lojas Simbólicas, que deviam obediência aos Irmãos com Graus superiores. Em 1921 Mário Behring como Grão Mestre Adjunto participou do Congresso Maçônico em Laussanne (Suiça), quando foi justamente alertado da irregularidade no Brasil da interferência dos Graus Superiores nas Lojas Simbólicas. A partir de então, iniciou um trabalho no sentido da separação entre as duas entidades (Graus Superiores e Lojas Simbólicas), o que culminou com a fundação das Grandes Lojas Estaduais em 1927.

A Grande Loja do Estado de São Paulo foi fundada em 2 de julho de 1927 no Templo da Loja Amizade número 1, na Rua Tabatingûera, 37 São Paulo, tendo sido eleito como primeiro Grão Mestre o Ir. Carlos Reis.

Em 14/06/1933, MÁRIO MARINHO DE CARVALHO BEHRING veio a falecer deixando como grande legado as Grandes Lojas Estaduais que formam a Confederação da Maçonaria Simbólica (CMSB) do Brasil e o Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil devidamente regularizado, operando como os demais Supremos Conselhos do mundo.

As Grandes Lojas Estaduais, desde sua fundação em 1927, foram legitimadas e autorizadas pelo Supremo Conselho, detentor da Carta Constitutiva emanada do Supremo Conselho da Bélgica e trazida pelo Ir. Francisco Gê Acaiaba Montezuma, Visconde de Jequitinhonha em 1832. No início não foram poucas as dificuldades, como organizar o funcionamento em cada Estado, reunir as Lojas Simbólicas, fundar novas Lojas, ampliar o número de obreiros, conseguir reconhecimento internacional, adquirir sede e uniformizar os procedimentos em todos Estados, visto que cada Grande Loja Estadual é soberana e independente.

Vencidos os desafios iniciais, restava ainda o maior de todos: obter o reconhecimento do Grande Oriente do Brasil, o que foi conseguido após muitas negociações e trabalho incansável de muitos Irmãos. Um Tratado de mútuo reconhecimento foi assinado, abrindo caminho para o reconhecimento da Grande Loja Unida da Inglaterra e de vários outros países.

É possível afirmar hoje que a semente lançada pelo nosso Irmão Mário Behring floresceu e permanece de pé. Hoje as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) unidas fraternalmente ao Grande Oriente do Brasil fortalece a Maçonaria do Brasil.

Como é possível observar, Mário Marinho de Carvalho Behring foi um cidadão inovador, proativo, disseminador da cultura, preocupado em preservar o conhecimento com sua atuação na Biblioteca Nacional e também em compartilhar com a sociedade através das revistas que criou e escrevendo em jornais importantes. Na Maçonaria teve papel de destaque ocupando cargos de liderança e promovendo mudanças, buscando sempre respeitar as antigas constituições, mesmo que precisando se contrapor a forças retrógradas que procuravam manter erros passados de interpretação e resistentes a alterações legais. A velha frase mostra assim sua força: “O bem sempre prevalece, mesmo que demore”. As Grandes Lojas Estaduais foram criadas sob sua inspiração e apoiada por muitos valorosos Irmãos e Lojas conscientes do acerto do rumo a ser tomado. O tempo veio a mostrar que o caminho, apesar de apresentar obstáculos, era correto e hoje as duas potências convivem na mais absoluta paz e em fraterna união, formando uma das mais importantes forças da Maçonaria mundial, representando o Brasil.

REFERÊNCIAS

DIAS, João.Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo – Quem e Como Fizeram sua História – Volume 1. Fundação Biblioteca Nacional. 2009.

Loja Maçônica Mário Behring 33 – Glesp- https://mariobehring.sigloja.com.br/pagina/lojamariobehring. em 01/09/2020

Revista do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil ‘Astrea’.

Site http://matheusconstantino.org/breve-relato-sobre-mario-marinho-de-carvalho-behring/ em 01/09/2020